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A importância dos pequenos gestos! PDF Imprimir e-mail
14-Mar-2016
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Vamos lá então tentar perceber porque Bloco, PCP e os Verdes não se levantaram nem bateram palmas ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa!Em primeiro lugar, devemos reter-nos no significado desse ato. Quando uma plateia se levanta e bate palmas significa o quê exactamente? Significa a plena concordância com o que foi dito mas também significa o reconhecimento de quem o acaba de proferir. Ficar sentado e não ovacionar um discurso nada tem de desrespeitoso. Apenas afastamento e discordância democrática.Ora se analisarmos friamente o discurso e a personalidade de Marcelo Rebelo de Sousa facilmente verificaremos que ele se situa nos antípodas do pensamento político destes partidos, pelo que o seu aplauso só poderia ser entendido ou como hipocrisia política ou uma cedência inqualificável a um qualquer protocolo de “boas-maneiras”.
Marcelo fez um discurso, todo ele apelando ao centrão. À convergência das forças políticas que governaram este país nos últimos 42 anos e, nesse sentido, marcando um afastamento de soluções que incluam os partidos mais marginais da vida governativa. Neste sentido fez um discurso de facção ainda que essa facção seja ampla. É certo que também jurou cumprir a constituição, mas aí as suas palavras permanecem, inevitavelmente, traídas por outras que proferiu num passado bem recente. Marcelo já disse tudo e o seu contrário, pelo que nenhuma proclamação em discurso de posse possa ser considerada merecedora de qualquer confiança.Os primeiros actos de Marcelo são também um exemplo da personalidade que imprimirá ao seu mandato. Marcelo condecora Cavaco Silva com o grande colar da ordem da Liberdade no próprio dia da sua tomada de posse. Não sabemos se o que o move é o cumprimento estrito de uma tradição inaugurada por Jorge Sampaio ou, se pelo contrário, entende que Cavaco Silva fez mesmo algo de relevante pela Liberdade em Portugal. Qualquer das hipóteses é má.
Num dos seus primeiro actos públicos num gesto que a comunicação só viu ecumenismo, reúne 17 lideres de outras tantas confissões religiosas ignorando a separação, a que está constitucionalmente obrigado, entre a religião e estado e fazendo-nos crer que o que mais divide os portugueses são as suas convicções religiosas ignorando até, que aí a divisão é muito mais entre crentes e não crentes e que, curiosamente, estes últimos não se viram aí representados. Imaginem por um momento, que nesta senda “ecuménica”, o eleito presidente, para dar um sinal de igual interpretação simbólica, tivesse organizado uma reunião pública com dirigentes de clubes de futebol.
De seguida, o recém-eleito presidente decide que a sua primeira deslocação ao estrangeiro (com todo o seu simbolismo) é feita precisamente a dois países cujo regime são Monarquias, uma delas até Teocrática. É, só por isso, uma escolha muito “peculiar” para um presidente de uma República acabado de eleger. A escolha do Vaticano é de todos os títulos incompreensível quer para o mais alto magistrado de uma nação Republicana quer para um qualquer partido de Esquerda, pese mesmo o facto do respeito que nos merecem todos os estados e a suas formas de organização (quando democráticas). Já a escolha de Espanha poderia merecer justificação dada a sua proximidade e intensidade de relações entre os nossos dois países não pesasse o facto de Espanha, neste momento, não ter qualquer governo em plenitude de funções.
Por tudo isto, e muito mais, Marcelo não merece, para a Esquerda portuguesa um aplauso no momento da sua tomada de posse. Merece, naturalmente, o reconhecimento democrático institucional e, a esse, os deputados do Bloco, PCP e PEV não faltaram nem este se pode medir por esse gesto. Não faltaram os cumprimentos institucionais nem faltaram com a sua presença. Quanto ao mandato que agora começa, só a Marcelo caberá construir. Veremos se merecerá aplausos no momento em que deixar o lugar ou se, como Cavaco, não terá uma única pessoa na rua para o homenagear na hora da despedida! Por último não deixa de ser curioso que os que mais brandem os fantasmas da falta de respeito a que acusam o gesto do Bloco, PCP e PEV são exactamente os mesmos que, há dias, permaneceram sentados sem aplaudir o discurso de tomada de posse do presidente da Assembleia da República (apenas a segunda figura na hierarquia do Estado). São os mesmos que tratam um governo legítimo que resultou da composição da Assembleia eleita democraticamente por “geringonça”, ou o primeiro-ministro por “primeiro-ministro que o povo não escolheu”. Assim estas críticas caem, naturalmente, por terra no que concerne a qualquer alegada falta de respeito institucional pelo cargo de presidente da República porque não a houve… e só se percebe, porque não é sobre esse respeito que todas elas falam mas porque há nelas um desejo inconfessável de que voltemos ao tempo do “respeitinho” com tudo o que isso significa.
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