Eleições Coordenadora Distrital de Viana do Castelo 2026/2028

Por decisão do plenário distrital de Viana do Castelo, realizado a 23 de janeiro de 2026, foi aberto o processo eleitoral para a Comissão Coordenadora Distrital (CDD) 2026/2028, que culminará a 6 de março de 2026 com a realização da Assembleia Eleitoral.

Para este processo deu entrada uma lista.

Lista A - Reforçar a presença, ampliar a luta

 

Os últimos anos confirmaram que as opções políticas da direita não respondem às necessidades de quem vive e trabalha em Portugal. As medidas do PSD, apresentadas como soluções de “responsabilidade” e “equilíbrio”, têm agravado problemas estruturais do país e aprofundado desigualdades. A crise da habitação continua sem respostas eficazes, com rendas incomportáveis e um mercado cada vez mais dominado pela especulação, empurrando famílias e jovens para situações de enorme precariedade ou para fora dos seus territórios. Esta realidade reflete-se de forma evidente em todo o distrito, sendo que na cidade de Viana do Castelo os preços das casas registaram um aumento brutal no último ano. Segundo o índice de um portal imobiliário, em janeiro de 2026, o valor mediano por metro quadrado atingiu os 2,233 euros, o que representa um aumento de 16,8% face a janeiro de 2025.

O SNS continua a degradar-se, com serviços encerrados, falta crónica de profissionais e tempos de espera cada vez mais longos, situação agravada por falhas graves no INEM, urgências repetidamente encerradas e listas de espera para consultas e cirurgias que batem recordes. Apesar deste cenário, insiste-se em soluções que abrem caminho à privatização, como a entrega de serviços a privados e o regresso das PPP, aprofundando o desinvestimento no serviço público. No nosso distrito, a ULSAM enfrenta problemas estruturais persistentes, com relatos de falta de material clínico, de infiltrações no Hospital de Ponte de Lima, urgências que funcionam há anos em contentores e dificuldades na fixação de profissionais, colocando em causa a segurança e a dignidade dos cuidados prestados.

A escola pública enfrenta igualmente uma ofensiva estrutural que põe em causa o seu carácter universal e democrático. À falta de recursos, à escassez de professores e a milhares de alunos que continuam sem aulas, soma-se a desvalorização contínua da carreira docente, marcada por concursos injustos, horários excessivos e salários que não acompanham o custo de vida. Recentemente, assistimos a mais um ataque à escola pública enquanto sistema nacional, fragilizando os vínculos laborais, promovendo a precariedade e abrindo caminho à municipalização e à fragmentação territorial da educação. Em vez de valorizar quem garante o direito à educação, o Governo opta por soluções que desresponsabilizam o Estado, aprofundam desigualdades e aproximam a escola pública de lógicas de mercado. Persistem ainda problemas graves como edifícios degradados, presença de amianto e falta de pessoal não docente, comprometendo o direito à educação e o futuro das próximas gerações.

No mundo do trabalho, o pacote laboral apresentado pelo PSD representa um ataque direto aos direitos dos trabalhadores. Em vez de combater a precariedade, reforça-a; em vez de valorizar salários, facilita despedimentos e fragiliza a contratação coletiva. Estas opções políticas favorecem os grandes interesses económicos e aprofundam a exploração, deixando quem trabalha ainda mais desprotegido e com menos capacidade de defender os seus direitos.

A crise climática é hoje uma das maiores ameaças ao bem-estar das populações e ao futuro do território, mas continua a ser tratada pela direita com medidas insuficientes e incoerentes. Os fenómenos extremos, como cheias, incêndios, erosão costeira e perda de biodiversidade, afetam de forma crescente o Alto Minho, colocando em risco comunidades, atividades económicas e ecossistemas. Em vez de uma resposta estruturada baseada na transição energética justa, na proteção do território e na adaptação climática, persistem opções que favorecem grandes interesses económicos, adiam soluções e transferem os custos da crise climática para quem menos responsabilidade tem.

O Bloco de Esquerda afirma-se como a alternativa a este caminho, com propostas concretas que respondem às necessidades reais das pessoas: uma política de habitação que enfrente e trave a especulação, o reforço efetivo do SNS e da escola pública, a valorização do trabalho e dos salários, o combate à crise climática, a defesa dos direitos feministas e LGBTQIA+ e uma oposição firme ao crescimento da extrema-direita.

Nos últimos tempos, o Bloco de Esquerda de Viana do Castelo tem mantido uma intervenção política ativa e consequente no distrito, articulando a luta institucional com o trabalho de proximidade junto das populações. O Bloco esteve presente na defesa do território contra projetos ambientalmente destrutivos, no apoio às reivindicações dos pescadores e das comunidades costeiras, nas lutas feministas e na denúncia das desigualdades sociais que continuam a marcar o distrito.

No último Orçamento do Estado para 2026 foram aprovadas duas propostas do Bloco de Esquerda com impacto direto no Alto Minho: a requalificação do portinho de Vila Praia de Âncora, uma reivindicação antiga da comunidade piscatória e essencial para a segurança e dignidade do trabalho no mar, e a realização do desassoreamento da Foz do Rio Minho e dragagens no rio Neiva, fundamentais para garantir melhores condições de navegação, segurança e sustentabilidade das atividades locais.

Os maus resultados das últimas eleições autárquicas deixou-nos sem representação e obriga-nos a uma responsabilidade acrescida. O Bloco de Esquerda terá de reforçar a sua presença no terreno, criar mais situações de proximidade com as populações e estar atento ao que se passa em cada concelho do distrito. Mesmo sem representação nas instituições autárquicas, renovamos o compromisso de acompanhar os problemas concretos das pessoas, apoiar as suas lutas, exigir respostas às entidades responsáveis e conquistar avanços que melhorem a vida de quem vive e trabalha no Alto Minho.

Em plena crise social, onde o custo de vida está cada vez mais asfixiante e os ataques a quem trabalha são ferozes, o Bloco de Esquerda necessita reforçar a sua presença e ação a nível distrital. Para isso, esta candidatura propõe-se a:

- Utilizar a sede distrital para organizar diversas iniciativas de reflexão política, de forma a mobilizar não só os militantes, mas também outros ativistas que se revejam nas lutas do Bloco;

- Criar uma agenda de intervenção a nível distrital, com diversas iniciativas políticas, culturais e ambientais;

- Reforçar a comunicação com os aderentes e ativistas do Bloco de Esquerda dos diferentes concelhos do distrito, desenvolvendo uma estratégia de intervenção específica para os concelhos, garantindo acompanhamento político regular e iniciativas de proximidade;

- Reforçar a presença do Bloco nos conflitos e lutas locais, articulando com sindicatos, movimentos de moradores, associações ambientais, coletivos feministas e juvenis;

- Reforçar a ligação à juventude trabalhadora e estudantil, promovendo iniciativas próprias e articuladas com a Juventude do Bloco.

 

 

 

Mandatário:

- Luís Louro

 

Lista Candidata:

- Adriana Temporão, Valença

- Ana Forte, Viana do Castelo

- Abílio Cerqueira, Caminha

- Carlos da Torre, Viana do Castelo

- Renata Trindade, Viana do Castelo

- Tiago Ribeiro, Ponte de Lima

- Ana Azevedo, Vila Nova de Cerveira