Bloco de Esquerda alerta para aumento de pessoas em situação de sem-abrigo e responsabiliza políticas de habitação

O Bloco de Esquerda defende que o combate a estas situações deve passar prioritariamente por políticas públicas de prevenção, com um reforço da intervenção do Estado e das autarquias, tanto na regulação do mercado da habitação como no apoio às famílias antes de estas atingirem situações-limite.

Na passada sexta-feira, dia 23 de janeiro, o Coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, junto com elementos da direção distrital do partido, estiveram reunidos com o Casulo Abrigo da Methamorphys. O Bloco de Esquerda alertou para o aumento significativo do número de pessoas em situação de sem-abrigo em todo o país, inclusive em Viana do Castelo, sublinhando que este fenómeno está diretamente ligado às atuais políticas de habitação e às dificuldades crescentes no acesso a uma casa digna. Segundo o partido, o agravamento das rendas e das prestações bancárias está a empurrar cada vez mais pessoas para situações de fragilidade extrema.

Durante a visita, foi destacado o papel fundamental de instituições como a Methamorphys, que garantem respostas de emergência e acolhimento temporário a quem se encontra nesta condição. José Manuel Pureza manifestou reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por estas entidades, considerando-o essencial no socorro imediato às pessoas afetadas. No entanto, salientou que estas respostas, embora indispensáveis, não resolvem o problema de fundo.

De acordo com o partido, a raiz da questão está na falta de políticas públicas eficazes de prevenção, em particular na área da habitação. A incapacidade de garantir rendas e prestações compatíveis com os rendimentos das famílias é apontada como uma das principais causas — senão a principal — do crescimento do número de pessoas em situação de sem-abrigo. Neste sentido, o Bloco responsabiliza os sucessivos governos, e em especial o atual, por criarem condições consideradas insuportáveis para um vasto conjunto da população.

O Bloco de Esquerda defende que o combate a estas situações deve passar prioritariamente por políticas públicas de prevenção, com um reforço da intervenção do Estado e das autarquias, tanto na regulação do mercado da habitação como no apoio às famílias antes de estas atingirem situações-limite. O partido reafirma que continuará a levar este debate à Assembleia da República, ao plano autárquico e ao espaço público.

No plano político, foi também sublinhado que a habitação ganhou centralidade no debate público durante as últimas eleições presidenciais, nomeadamente pela intervenção de Catarina Martins, que colocou o tema no centro da discussão política. O Bloco de Esquerda reiterou que a sua ação política é orientada para dar voz aos que têm menos e para combater situações de exclusão social, não como estratégia eleitoral, mas como parte do seu compromisso político.